Análise do cultivo da laranja no Estado de São Paulo de 2001 a 2015

Lígia Erpen, Fabiana Rezende Muniz, Tatiana de Souza Moraes, Eveline Carla da Rocha Tavano

Resumo


Ao longo dos anos, o Brasil se consolidou como o maior produtor mundial de laranja e maior produtor e exportador de suco concentrado de laranja, sendo que o Estado de São Paulo é responsável por 73% da produção nacional. O desempenho da citricultura está sujeito a variações sendo fundamental conhecer o contexto atual da produção de laranja e os principais fatores que afetam o seu cultivo. Assim, o objetivo do trabalho foi analisar a evolução da área, produção e produtividade de laranja no Estado de São Paulo, que detém maior parte da produção brasileira, e os fatores que impactaram seu cultivo, nos últimos 15 anos, de 2001 a 2015. Para isso, foram realizadas análises de regressão linear a partir de séries históricas. A área de cultivo e a produtividade de laranja apresentaram relação linear negativa e positiva, respectivamente, e a produção não apresentou uma tendência. O aumento da produtividade contribuiu para que a produção não reduzisse no mesmo ritmo que a área colhida. A produção de laranja diminuiu apenas 9,2%, enquanto que a área reduziu 29% e a produtividade aumentou 27%. A redução na área de cultivo está relacionada à baixa remuneração aliada ao encarecimento da produção, decorrente especialmente dos maiores gastos com mão de obra e manejo fitossanitário, que fez com que muitos produtores buscassem por alternativas, como a cana-de-açúcar. A área cultivada com cana-de-açúcar no Estado de São Paulo apresentou uma relação linear positiva e crescimento de 115%. O aumento da produtividade está relacionado a melhorias na implantação e manejo do pomar e no aumento na densidade de plantio. O cenário futuro é favorável em função das expectativas de melhora de preços e demanda internacional, porém o agronegócio citrícola exige estratégias técnicas e econômicas planejadas para ser competitivo. 


Palavras-chave


área cultivada, cana-de-açúcar, custo, preço, produtividade

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DOI: https://doi.org/10.22167/r.ipecege.2018.1.33

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